Em 2026 a logística de cargas tende a avançar consideravelmente, sobretudo em duas frentes interligadas: digitalização operacional e sustentabilidade. Neste sentido, a primeira frente, trata-se da utilização de plataformas, visibilidade em tempo real e automação, enquanto a segunda frente, é relacionado ao uso de combustíveis limpos, regulação e eletrificação da frota.
Em razão disso, essas forças estão remodelando como embarcadores, transportadoras e operadores logísticos planejam sua capacidade, precificam riscos e desenham redes resilientes.
Tendências tecnológicas que moldam as operações
Plataformas digitais e Freight Forwarding digital
As plataformas digitais de frete, são aquelas que geralmente oferecem cotação instantânea, booking, documentação e rastreio integrado, as quais têm ganhado destaque relevante nos últimos anos.
Além do mais, o mercado de Freight forwarding digital segue em forte expansão, com projeções de crescimento de dois dígitos para os próximos anos, impulsionado por demanda por processos “end-to-end” e automação documental. Dado isso, diminui o lead times e custos operacionais, assim como, facilita a integração entre atores (shippers, carriers, terminais).
Visibilidade em tempo real, IoT e analytics
Sensores IoT, telemetria de veículos, e camadas de analytics/ML são tecnologias que permitem a conversão de dados de localização e condição (temperatura, choques, carga) em ações operacionais: rerouting automático, gestão de exceções e otimização de last mile. Dessa maneira, por meio da combinação de dados em tempo real e modelos preditivos , tornaram-se requisitos para contratos com SLAs rígidos.
Automação e Logistics-as-a-Service (LaaS)
Com armazéns automatizados, robôs colaborativos e soluções “Logistics-as-a-Service” (APIs modulares) isso proporciona maior elasticidade operacional, especialmente em períodos de picos sazonais que são tratados sem investimentos fixos pesados. Assim também, as plataformas digitais também aceleram a terceirização de funções logísticas completas como, por exemplo, fulfillment e reversa.
Como a sustentabilidade se integra às operações
Medição e compra por emissões
Os compradores corporativos e reguladores normalmente exigem relatórios de emissões por transporte (Scope 3) e começam a condicionar parte das contratações a métricas de carbono, com isso, forçam os operadores a rastrear distância, modais e tipo de combustível por remessa.
Mudança modal e otimização de carga
Em geral, para reduzir emissões de carbono, há maior ênfase em mover cargas por modais de menor intensidade carbônica (ferrovia, cabotagem) quando viável, e em aumentar o fator de ocupação por meio de processos de consolidação e cross-docking.
Infraestrutura verde nos hubs
Os centros de distribuição e terminais investem em painéis solares, armazenamento energético e carregamento de frotas elétricas, além de processos logísticos que tem como finalidade reduzir os manuseios e desperdícios. Além disso, os relatórios do setor mostram que estas práticas passam a ser diferenciais competitivos.
Eletrificação e veículos pesados
É importante destacar que as vendas de caminhões elétricos cresceram de maneira acelerada em 2024–2025, e devido a essa transição, este é um fator que tem se tornado operacionalmente importante para 2026, principalmente para rotas urbanas e regionais.
Desse modo, a adoção dependerá de incentivos, rede de recarga rápida e novas soluções de leasing/infraestrutura para frotas pesadas. Logo, as expectativas de crescimento nos próximos anos são altas, porém, as rotas de longa distância ainda enfrentam desafios técnicos.
Recomendações práticas para 2026
Medir primeiro, reduzir depois: implemente rastreamento de emissões por envio (TMS+telemetria) para que se tenha métricas mais confiáveis.
Pilotos com metas claras: pilote eletrificação em rotas urbanas/curtas antes de converter rotas longas; faça pilotos de autonomia em parceria com fornecedores e autoridades locais.
Parcerias público-privadas: colabore com operadores de energia e municípios para planejar infraestrutura por meio de carregamento e corredores inteligentes.
Use IA para visibilidade e consolidação: adote control towers que integrem dados de demanda, tráfego e energia para otimizar rotas e reduzir CO₂.
Alinhe procurement e sustentabilidade: incorpore métricas de carbono nas práticas de compra e contratos de frete.
Portanto, 2026 é o ano em que tecnologia e sustentabilidade deixam de ser iniciativas isoladas para se tornarem elementos estratégicos da operação logística e, assim, garantir maior eficiência.

